Cubismo: Intuição Genérica da Forma


Fase Sintética; Fim do Cubismo; Neocubismo;


Parte 3.



• FASE sintética (1912-14)
É a resposta para a própria situação hermética (eles próprios já não se lembravam de quem é que tinha pintado, e o que é que tinham pintado). É o tentar recuperar a unidade do referente através de uma intuição genérica da forma - daí esta dimensão sintética por oposição. Por isso por vezes usam estruturas ovoides de como quem quer concentrar no referente. Convém lembrar que Picasso é alguém que precisa de qualquer coisa na pintura, ele gosta de temas. 

Existe por vezes uma definição das superfícies, e até um uso por vezes do desenho na lógica sintética. Sentimos que a presença real do referente já não é tão necessária, o que era marcante nas fases anteriores (Juan Gris). 

A questão do papier collé é quando começam colocar elementos estranhos à pintura tradicional (papeis de parede, jornais). Portanto vai ser um duplo jogo entre a textura e cor com a dimensão física – isto já fala de uma consciência da superfície do quadro (1). E é este sentido de superfície texturada que devolve ao observador um sentido de profundidade (2). Depois da colagem à assemblage (3) é um instante. É uma consciência que já vem detrás, é aquela frase do Nabi Maurice Denis adaptada a partir de Vasari: “Um quadro antes de ser um cavalo de batalha, uma mulher nua, ou uma anedota, é uma superfície plana coberta de cor”. Vai anteceder depois o futurismo, do dadaísmo, etc. 





NOVA DIMENSÃO DO CUBISMO:

Entra Juan Gris a aproximar-se bastante de Picasso e Braque, e que vai dar outro funcionamento a este cubismo sintético:

· Organização geométrica;

· Sentido formal mais decorativo;

· Processo que parte da abstração para a realidade (dedutivo); Isto surgiu de uma relação direta intensa entre pintor e quadro e referente. Ele parte da construção do quadro e depois decide como integrar o referente; 

· Gosta mais da paisagem, onde permite mais uma abertura; Enquanto que Picasso e Braque vão-se aproximar à natureza-morta. 



FIM DO CUBISMO

Em 1914 Braque vai para as trincheiras da guerra e Picasso vai despedir-se dele ao comboio e é o fim da aventura cubista. Eles vão voltar-se a ver, mas nunca mais vão pintar juntos. Picasso volta à figuração (obra de transição: Músicos Mascarados)


PICASSO CLASSICISTA (anos 20)

Nos anos 20 sente-se uma vontade de esquecer a guerra, com um mote de regresso à ordem, que os anos loucos não querem. Há uma elegância linear e um regresso à solidez pré Demoiselles d’Avignon, mas agora com um sentido de síntese (Duas mulheres a correrem na Praia). 

Alguma aproximação da situação surrealista com figuras fragmentadas de grande solidez (Mulher com poltrona Vermelha).



neocubismo (guernica)

  Picasso não podia pintar mais classicismos perante a realidade social (=Fase azul, pobreza). Começamos a ter uma situação de estado de guerra (Guerra Civil de Espanha) e de pré-guerra (Segunda Guerra Mundial). Isto é um Picasso a assumir o próprio drama espanhol e a fazer uma denúncia - isto é um quadro político

Existe também um reinventar um cubismo expressionista (≠drama do eu do expressionismo alemão). Ele vai rebuscar a sua passagem pelo cubismo, mas o problema já não é da representação, mas sim é o problema da expressão e do drama dos conteúdos. 

Portanto isto é uma espécie de neocubismo que quer reencontrar uma dimensão figurativa moderna.